segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Adeus a Nelson Brito



Homenagens no adeus a Nelson Brito
Reconhecido no meio cultural, artista morreu na noite de sábado, após sofrer acidente vascular cerebral


Bruna Castelo

Branco

da equipe de o estado



Foi enterrado às 15h de ontem, no Cemitério do Gavião, o ator, diretor e dançarino popular Nelson Brito, diretor e um dos fundadores do Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte). Brito faleceu às 23h do sábado, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Na Central de Velórios da Pax União, na rua Oswaldo Cruz, artistas, escritores, amigos e intelectuais estiveram presentes e, antes do enterro, seguiram em cortejo para a sede do Laborarte, onde prestaram as últimas homenagens, com rodas de capoeira e tambor de caixa. “Bem cedo, tivemos um tambor de choro, mas essas homenagens estão acontecendo espontaneamente. Não sabemos nem como será daqui para a frente”, observou a cantora Rosa Reis, viúva do artista.

Nelson Brito sofria de hipertensão e teve um mal-estar após o almoço, relatando que sentia fortes dores de cabeça. Levado ao Hospital Aliança, foi diagnosticado o AVC. Depois de internado, o artista teve duas paradas cardiorrespiratória. Ele chegou a ser transferido para o Hospital São Domingos, mas não resistiu à terceira parada cardíaca. “Foi tudo muito rápido. Ele começou a passar mal. Depois, resolveu deitar um pouco. Como não melhorou, resolvemos levá-lo ao hospital. Infelizmente, foi tarde demais”, disse, emocionada, a cantora.

O artista, que tinha 55 anos, deixou a esposa Rosa Reis, as fi-lhas Imira, Luana e Camila e o neto Warlison, além de um legado valioso para a cultura popular, fruto de mais de trinta anos dedicados ao incentivo e ao resgate das manifestações culturais, principalmente relacionados aos períodos carnavalesco e junino. À frente do Laborarte, desenvolvia também atividades culturais como oficinas de tambor de crioula, capoeira, percussão, artes cênicas, dança popular e produção de espetáculos.

A atuação de Nelson Brito levou vários ícones da cultura do Maranhão a ganhar visibilidade, a exemplo do Cacuriá de Dona Teté e o Tambor de Crioula de Mestre Felipe. O Laboratório, recentemente, foi contemplado como um Ponto de Cultura, iniciativa do Governo Federal.

Além de diretor, Nelson Brito era, atualmente, presidente do Conselho Estadual de Cultura. Antes, foi presidente da Fundação Municipal de Cultura, durante parte das administrações de Jackson Lago e de Tadeu Palácio.

Este ano, o Laborarte completará 36 anos de atuação. Foi criado em 11 de outubro de 1972, no casarão da rua Jansen Müller, com o propósito de engendrar os aspectos da arte maranhense, em música, teatro, dança e literatura.


REPRESENTATIVIDADE

Segundo artistas e intelectuais ligados à cultura, a morte de Nelson Brito representa uma lacuna nas lutas em prol das atividades e expressões populares do Maranhão. Para o secretário estadual de Cultura, Joãozinho Ribeiro, o artista pode ser considerado um “guerrilheiro da cultura”, devido às grandes atividades que já realizou em prol da arte no Maranhão. “Eu vou falar como um amigo há mais de trinta anos. Ele teve toda uma vida dedicada às nossas manifestações populares. Por causa de sua atuação, o Cacuriá de Dona Teté teve visibilidade na Europa. Ele carregava o calendário cultural desta cidade nas costas, realizando Festa do Divino, Sábado de Aleluia, Carnaval e São João. Era uma pessoa única e especial”, destacou.

De acordo com o compositor Chico Saldanha, a morte de Nelson Brito é um grande golpe para a cultura popular. “Era uma pessoa que há muitos anos conseguiu levantar este movimento cultural e torná-lo ainda melhor”, detalhou.

Ressaltando a visibilidade nacional que Nelson Brito conseguiu para a cultura popular, o compositor Josias Sobrinho lembrou a atuação do artista como presidente da Federação Nacional de Teatro. “Ele conseguiu o respeito pela atuação cultural. Era um cidadão que lutava e que discutia os assuntos e cobrava posições. Teve uma trajetória brilhante”, comentou.

Muito emocionado, o dançarino Hélio Martins lamentou a morte do amigo, mas, principalmente, pela cultura local. “Não quero nem falar do amigo, imenso, que foi embora. Mas parte da cultura maranhense morreu com ele”, desabafou.

Presente também no velório, o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), Guilherme Zagallo, ressaltou que Nelson Brito ajudou a resgatar traços da cultura maranhense, por meio da pesquisa e da organização de espetáculos culturais. “Era um grande produtor, pesquisador e animador. Para ele, o que em outros lugares é folclore, aqui é cultura popular. Fora isso, era uma pessoa muito alegre, comunicativa, e todos nós ficamos muito consternados”, frisou.

MEU AMIGO PRA MIM VOCÊ SEMPRE SERÁ UMA ESTRELA QUE AGORA MUDOU DE PALCO E BRILHARÁ ETERNAMENTE EM NOSSOS CORAÇÕES. A CULTURA MARANHENSE PERDEU UM GRANDE ATOR, UM GRANDE INCENTIVADOR E UM GRANDE ARTISTA, MAS ESTAMOS CONFORMADOS PORQUÊ O CÉU PRECISAVA DO SEU TALENTO TAMBÉM. IMAGINO A FARRA QUE DEVE ESTAR POR LÁ COM A SUA CHEGADA. POR TUDO O QUE FEZ E REPRESENTOU PELA ARTE DO MARANHÃO, LEVANTO E APLAUDO.

Zeca
http://imirante.globo.com/oestadoma/...codigo1=147988

Nenhum comentário: