
Com indumentárias exclusivas e em meio à folia do Bicho Terra, grupo madridivino prepara-se para representar a cultura maranhense.
O tempo é de Carnaval, mas no ateliê de costura da Cia. Barrica,
localizado no bairro Madre Deus, a folia momesca divide espaço com as festas de
São João. Democraticamente, indumentárias do boizinho se mesclam às do Bicho
Terra em uma composição multicolorida que tem como finalidade a participação da
Cia no desfile da Beija-Flor e também o Carnaval maranhense. A Cia. Barrica é um
dos grupos de cultura popular que marcarão presença, ao lado dos bois de Morros,
Axixá, Nina Rodrigues e Santa Fé, além de Maioba e Maracanã, na festa da
agremiação fluminense.
A Cia. Barrica vai se apresentar no setor quatro e vestirá a
fantasia Vem brincar nesse arraiá. Composta por 60 integrantes, sendo 40 mulheres
e 20 homens, a Cia. vem com figurino característico, os bailarinos estarão
trajados de bailarinas e baiantes, indumentárias usadas pelo grupo durante o São
João e também de coureiras, para representar o tambor de crioula.
O diretor da Cia., José Pereira Godão, explica que as fantasias
foram propostas pela Beija-Flor, mas que isto não significa uma
descaracterização das manifestações locais. “Não se trata de uma estilização da
cultura popular, mas uma tradução dela”, explica Godão.
Neste mesmo setor desfilarão Maioba e Maracanã, que
representarão os caboclos de pena com a fantasia Batalhão pesado e Batalhão de
ouro, respectivamente; o boi de Santa Fé levará para a avenida os cazumbás, os
rajados e os índios, vestidos com duas fantasias: Quero ver o cazumbá e Diamante
brasileiro. O Boi de Morros fará a alegoria com índias e índios. Já Axixá terá a
fanatasia A vibração das toadas, enquanto Nina Rodrigues sairá de A sensualidade
orquestrada.
Além dos grupos folclóricos, vão se apresentar ainda neste
espaço o puxador Neguinho da Beija-Flor, com a fantasia O amo cantador, a
bateria, que vem vestida de O sotaque colorido. Comporão a bateria o grupo
Mariocas, comandado pelos gêmeos Rômulo e Ramon, que inserirão pandeirões na
batucada da escola. A rainha de bateria, passistas, Pai Francisco e Mãe Catirina
também estão no setor quatro.
A religiosidade maranhense será representada por um grupo do
terreiro de Iemanjá, fundado pelo babalorixá Jorge Itaci, que levará para a
avenida uma representação do Tambor de Mina.
Passeio – De acordo com Godão, o Barrica fará, durante o
desfile, um recorte das principais manifestações que têm seu ápice no período
junino. Danças como cacuriá, tambor de crioula, quadrilha e outras manifestações
serão retratadas pelo grupo, que, originalmente, faz este recorte durante suas
apresentações. “Vamos fazer um recorte dos bailados e dos diversos sotaques que
se vê nos arraiais no mês de junho”, diz.
Como em São Luís, o Carnaval também vai estar a todo vapor, os
integrantes do Barrica garantem que comparecerão à festa. A fim de dar conta das
duas festas, o grupo madridivino viaja no Domingo Gordo para o Rio e, lá
chegando, segue direto para a Marquês de Sapucaí. “O desfile começa à 1h30 da
madrugada de segunda e, assim que terminar, pegamos o avião de volta para São
Luís”, afirma Godão, garantindo que a agenda do grupo carnavalesco Bicho Terra
não será, em hipótese alguma, prejudicada.
A exemplo de anos passados, este ano o Bicho Terra apresenta aos
maranhenses um novo personagem. Trata-se do Bicho Maranhaguara, nascido da
inspiração de Godão como forma de celebrar os 400 anos de São Luís.
O personagem, que ganha hoje as ruas da cidade, representa os
três povos que deram origem aos maranhenses. “O europeu, o índio e o africano
formaram nosso povo e o personagem remete a esta mistura e a nossa própria
história, que não foi feita apenas de glórias ou de festa, mas de conflitos
também”, diz Godão. O personagem, segundo o diretor da Cia. Barrica, foi uma
forma divertida e leve de tratar do tema da fundação da cidade.
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