sábado, 9 de abril de 2011

São Luís terá grandes obras para os 400 anos

 

São Luís terá grandes obras para os 400 anos
Ingrid Assis
Da equipe de O Estado
Em celebração aos 400 anos da cidade de São Luís, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) planejou a modificação e criação de vias que favorecerão a distribuição do tráfego da cidade, além de beneficiar os demais municípios da Ilha: São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar. Está prevista a criação de novas faixas nas avenidas dos Holandeses e Orlando Araújo, além da concepção da Via Expressa, da Avenida Metropolitana, da Ponte do Quarto Centenário, de um marco que fará alusão à data celebrada e do espigão da Ponta d'Areia.
Para o secretário de Infraestrutura, Max Barros, embora haja a questão do aniversário da cidade e a construção dessas vias seja uma forma de presentear os moradores da capital, a realização dessas obras é importante e necessária. "Queremos presentear São Luís, mas isso não implica que elas estarão prontas no dia da comemoração dos 400 anos. Trata-se de um programa viário de transporte de massa que terá uma continuidade. A única dessas obras que a gente pretende terminar até o aniversário da cidade é a via expressa. As outras, já temos o projeto básico e executivo. Provavelmente elas já estarão em andamento até o dia da festa. É um programa amplo", explicou.
Antes de elaborar o projeto dessas vias, foram feitos estudos de viabilidade e até mesmo uma análise para saber qual área da cidade está mais sobrecarregada com relação ao fluxo de veículos. "A questão do tráfego na capital está bastante complicada. Houve um aumento grande da frota, as vias não cresceram com a mesma proporção, assim como o serviço de transporte de massa. A Ilha já tem uma população grande, mas ainda não tem um transporte de massa compatível. Foi feito o estudo de viabilidade, e a via hoje que é mais congestionada é a Jerônimo de Albuquerque. Então, a Avenida Expressa terá boa parte dela paralela à Jerônimo de Albuquerque, sendo assim, a maior parte do fluxo de hoje será transferida para a Avenida Expressa", pontuou Max Barros.
A Avenida Metropolitana, por sua vez, vai beneficiar o tráfego em bairros como Cidade Operária, Cohatrac e Maiobão, além de ser uma nova opção de via para quem chega ao Aeroporto Internacional Marechal Hugo da Cunha Machado. "A Avenida Metropolitana vai funcionar quase como um anel. O primeiro anel de contorno da Ilha de São Luís, mais precisamente, o primeiro lado do anel de contorno da Ilha. E vai cortar bairros importantes para a população, como Cidade Operária, Cohatrac, Maiobão, entre outros. Quem chega hoje ao aeroporto, tem de utilizar normalmente as avenidas Guajajaras e Jerônimo de Albuquerque e com a construção dessa nova via, haverá mais uma opção. Além disso, está prevista a construção de uma calha para transporte urbano em toda a Avenida Metropolitana, para o modelo BRT [Bus Rapid Transit]", destacou o secretário.

Pontos críticos de tráfego devem ser sanados com ponte e avenidas

Pontos críticos de tráfego devem ser sanados com ponte e avenidas

Dois pontos críticos identificados nas análises da Sinfra foram as pontes José Sarney e Bandeira Tribuzi. "A capacidade da ponte José Sarney em horário de pico está completamente esgotada, e a Bandeira Tribuzi também. Dimensionamos e percebemos que estão esgotadas, principalmente nos horários de pico", relatou Max Barros. Antes da Ponte do Quarto Centenário como solução para desafogar o tráfego de veículos na área, já foram desenvolvidos outros projetos que esbarraram na necessidade de preservação do patrimônio histórico. "É grande o fluxo de veículos que trafegam na Beira-Mar. Já houve projetos anteriores para alargar a avenida, duplicando-a, mas tem uma questão importante a ser considerada, que é o valor histórico do Cais da Sagração. A Ponte do Quarto Centenário surge como uma opção viável para diminuir o tráfego pela ponte José Sarney, ligando a parte nova com a cidade velha", ressaltou.
A Ponte do Quarto Centenário sairá atrás do conjunto Basa, na Ilhinha, e se estenderá até o Aterro do Bacanga, no anel viário. Ela ligará duas avenidas, a Ferreira Gullar com o Anel Viário. Dessa forma, as pessoas não terão mais de passar pelo Centro, caso queiram se deslocar entre essas duas avenidas. Até o momento, o projeto da ponte é o que está mais atrasado porque o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está com o posicionamento técnico desfavorável à construção. Segundo o secretário, o argumento do Iphan é de que a ponte prejudicará a vista da parte histórica de São Luís. "Na questão da Ponte do Quarto Centenário, temos pendências. O projeto base já está elaborado, mas há o posicionamento técnico do Iphan, que diz que a obra vai prejudicar o skyline da cidade. Nossa visão é o contrário, de que a ponte preservará o Centro Histórico porque vai tirar o tráfego pesado da área, mas eles acham que, embora a ponte não será construída na área tombada, vai prejudicar o visual do patrimônio. E, como todas as obras devem ser aprovadas pelos órgãos competentes, estamos com esse impasse", contou Max Barros. "Vale ressaltar que a composição do Cais da Sagração é pau de mangue, então ele não foi projetado para suportar a quantidade de carros que passa por lá diariamente. Sendo assim, a Ponte do Quarto Centenário só vai ajudar a preservar o Centro Histórico e a ligar duas avenidas que têm uma caixa grande e que, de certo modo, estão até ociosas", complementou.
Com relação ao alargamento das avenidas dos Holandeses e Orlando Araújo, os constantes congestionamentos nas áreas motivaram a obra. "Essas modificações são importantes porque também essas avenidas estão com capacidade esgotada, no horário de pico, as vias ficam completamente congestionadas. Então, a idéia é construir uma faixa de cada lado. A Avenida Metropolitana, por exemplo, será interligada com a região do São Francisco. E nessa ampliação estamos prevendo uma faixa exclusiva para ônibus, para privilegiar o transporte de massa", explicou o secretário.
Conclusão - De todas as modificações, a mais adiantada é a obra do Espigão da Ponta da Areia, que já está com o contrato assinado e provavelmente na semana que vem será dada a ordem de serviço para iniciar a construção. A segunda obra mais adiantada é a via expressa. "Com relação à Via Expressa, vamos lançar a licitação. A previsão é iniciar em julho. E a conclusão está prevista para o dia do aniversário de São Luís", afirmou Max Barros. A Avenida Metropolitana já tem o projeto base e está sendo licitado o projeto executivo. A previsão é de que se inicie a obra ainda este ano.
O alargamento das avenidas dos Holandeses e Orlando Araújo também já tem projeto base. "Estamos licitando também o projeto executivo, então a previsão é de que ainda este ano a obra comece. A previsão de conclusão quem vai definir é o projeto executivo. Nessas avenidas, o prazo não é inferior a dois anos. Tanto da Holandeses, quanto a Metropolitana ainda vão passar por um etapa de desapropriação dos imóveis que serão atingidos", destacou o secretário. Com relação ao marco dos 400 anos de São Luís, local ainda está sendo definido.
Durante a entrevista a O Estado, Max Barros destacou a necessidade da realização das obras agora. "Implantar essas vias vai gerar certo grau de dificuldade, porque vai implicar desapropriação e interferências na rede elétrica. Então, se não fizermos isso agora, vai ficar muito mais difícil depois, porque a cidade vai estar mais aglomerada, vai ser muito mais caro e mais complicado. Quem transita em São Luís sabe que o tráfego hoje está muito complicado. E vamos priorizar o transporte de público. São obras importantíssimas, necessárias, e o momento para fazê-las até já passou, estamos atrasados quanto a isso, por isso temos que agilizá-las", ressaltou.
O secretário pediu a compreensão da população durante a execução das obras, considerando os possíveis transtornos. "Por mais que haja planejamento, há transtorno. Então, esperamos que quando as obras estiverem em andamento, haja compreensão por parte da população, porque a única maneira de solucionar o problema dos congestionamentos é fazendo as avenidas. Por mais que sejam disponibilizados caminhos e desvios, as pessoas terão algum tipo de desconforto, mas o objetivo é de que eles sejam os menores possíveis e que o resultado compense com juros e correção monetária [risos]", afirmou. O secretário ressaltou ainda que a única obra que quase não terá transtornos será a Via Expressa. "Essa quase não terá impacto na rotina das pessoas, quase nenhum desconforto na execução", concluiu.

Resumo das principais obras


Via Expressa - Partindo da BR-135, passa pelo Aeroporto Marcehal Cunha Machado, pela Cidade Operária, Jardim América, Cohatrac, Maiobão, Araçagi até o Alphaville. Serão três faixas para trânsito de veículos e motos, e duas faixas para Bus Rapid Transit (BRT). No total, serão 5,4 quilômetros construídos.
Avenida Metropolitana - Passará pelo Jaracaty, Renascença, Santa Eulália, Cohafuma, Vinhais Velho, Jardim Monterrey e Maranhão Novo. No total, serão 22 km construídos.
Ponte do Quarto Centenário - Ligará o São Francisco (Ilhinha) ao Bacanga. Ainda não tem previsão de início, pois há um impasse com o IPHAN.
Alargamento da Avenida dos Holandeses e da Avenida Orlando Araújo - essas vias ganharão novas faixas que ajudarão a comportar o trânsito do local.
Marco dos 400 anos - ainda não há previsão de onde será o marco ou quanto será construído. Deverá estar pronto até o aniversário da cidade. Será feito por um artista maranhense.
Espigão Costeiro - será construído na Ponta d’Areia para conter a erosão na área. É a obra mais adiantada de todos os projetos para os 400 anos de São Luís.


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