O Estado do Maranhão
Os sete chineses presos sexta-feira, dia 20, acusados de venderem produtos pirateados em São Luís serão notificados a sair do país no prazo de oito dias. Caso descumpram a ordem, deverão ser deportados. Dois deles, porém, podem conseguir permanecer no Brasil por terem filhos brasileiros. A prisão dos estrangeiros foi resultado de uma ação de combate ao contrabando e à falsificação feita pelo Ministério Público Estadual (MP), Polícia Militar e Guarda Municipal.
Os chineses prestaram esclarecimento à Polícia federal (PF), ainda sexta-feira, e logo depois foram liberados. Todos têm endereço fixo em São Luís e não podem abandoná-lo. De acordo com o superintendente regional da PF, Fernando Segóvia, os imigrantes chineses presos não viviam em condições luxuosas e a documentação dos estrangeiros está sendo averiguada. "Vamos ver caso a caso: quem está regularmente, quem está ilegalmente, quem praticou crime, quem não praticou", disse o superintendente.
Seis dos chineses apresentaram visto de turista e disseram ter entrado no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Porém, de acordo com a Lei de Imigração Brasileira, turistas não podem trabalhar nem vender produtos. "Como os chineses foram flagrados vendendo produtos pirateados, terão o visto de permanência cancelado", afirmou Segóvia. Outro membro do grupo não mostrou documentos à polícia.
O caso dos dois chineses que afirmaram ter filhos brasileiros deve ser resolvido pelo Conselho Nacional de Justiça. Segundo Fernando Segóvia, essa é uma prática que tem se tornado comum. Muitos imigrantes usam os bebês para permanecer no país e continuar vendendo produtos piratas trazidos pela máfia estabelecida em São Paulo. "Se a criança já nasceu em território nacional, ela não pode ser deportada e, conseqüentemente, os pais não são mandados embora, apesar de ficarem em situação ilegal, sem tirar documento, entre outros impedimentos. A maioria deles aguarda a anistia do Governo Federal, que acaba tentando absorver essas pessoas em território nacional", explicou o superintendente.
Abrindo o Jogo : Lin Hsiwen
O chinês naturalizado brasileiro Lin Hsiwen chegou ao Brasil há 32 anos. Ele nasceu em uma cidade próxima a Xangai e saiu do país aos 19 anos. Hoje, aos 52 anos, tem três lojas localizadas na Rua de Santana, onde comercializa produtos importados. Boa parte deles é falsificada.
O Estado - Como o senhor chegou ao Brasil?
Lin - Vim sozinho, para trabalhar. Entrei legalmente, pelo aeroporto. Deixei irmãos, mãe, pai. Primeiro morei no Rio de Janeiro. Já passei pelo Mato Grosso do Sul e por São Paulo. Casei-me com uma chinesa no Brasil. Tenho três filhos já adultos.
O Estado - Por que o senhor veio morar em São Luís?
Lin - Cheguei a São Luís há dois anos. Quis morar em um lugar que tivesse praia. Além disso, achei que aqui o comércio seria bom, pois não há tantas lojas como existem em São Paulo.
O Estado - Alguns desses produtos são falsificados. De onde o senhor traz os produtos que vende?
Lin - Sei que entram no Brasil de navio, pelo porto, mas passam pela Receita Federal. Eu compro na Rua 25 de março, em São Paulo, de lojistas. Todos têm nota fiscal. Alguns são realmente falsificados, mas compro com notas. As pessoas compram em minha loja porque é mais barato. Quem vai comprar uma bolsa por R$ 300,00, se aqui na loja o preço é dez vezes menor?

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