Da editoria de Política
O hospital de emergência que a Prefeitura de São Luís pretendia construir na capital gerou um novo debate sobre a saúde pública maranhense, ontem, na Assembleia Legislativa. A polêmica se deu quanto à localização - o Sítio Rangedor -, questionada pelos deputados Bira do Pindaré (PT) e Eliziane Gama (PPS). Já o deputado Carlos Alberto Milhomem (DEM) afirmou que, independentemente da localização, o que importa é fazer a unidade hospitalar, já que os Socorrões estão sobrecarregados.
O discurso de Milhomem na tribuna acabou ampliando o debate para além da problemática da saúde na capital, envolvendo as ações do governo Roseana Sarney (PMDB) no setor e gerando uma análise crítica da oposição na Casa. "Agora há pouco, vi deputado reclamar da localização do hospital. Quanta sandice. O que interessa é que seja construído", defendeu Milhomem, no bojo de um discurso de 30 minutos em que criticou a postura do "quanto pior, melhor" da oposição, exaltou o programa do governo Roseana para a saúde e debateu com os oposicionistas o colapso do sistema em São Luís.
No meio do novo debate, o líder oposicionista Marcelo Tavares (PSB) retomou o mesmo discurso que repete diariamente, sobre as licitações para construção de hospitais no estado. Foi repreendido por Milhomemr. "O senhor vai repetir o mesmo discurso que faz todo dia? Já teve o tempo necessário para isso. E não é isso que está em debate", descartou o parlamentar democrata.
O debate começou com o discurso de Bira do Pindaré. "Não faz sentido construir o hospital em uma região desta [Sítio Rangedor], quando a população que vai utilizá-lo não mora aqui. A questão envolve também mobilidade urbana e o trânsito de São Luís", frisou Pindaré.
Insano - Carlos Alberto Milhomem avaliou que a postura da oposição na Casa - diante do colapso da saúde - não deixa de ser insensata, uma vez que critica os hospitais construídos pelos governos federal e estadual, quando deveriam elogiar. "Estou no quinto mandato de deputado estadual. Já fui governo e já fui oposição. Nunca joguei pedras por jogar. Nem como presidente desta Casa atrapalhei governos que não faziam parte do meu grupo. Negar o que está sendo feito é insanidade", cobrou Milhomem. Sobre o Programa Saúde é Vida, do governo Roseana Sarney, foi taxativo: "O que está sendo feito no Maranhão é uma revolução".
Mais tarde, ao responder à crítica de Milhomem, o deputado do PT frisou: "Da minha parte, não faço oposição desvairada. E minha crítica não é insana".
Posicionando-se ao lado do deputado Bira do Pindaré, mesmo sem discordar do discurso de Milhomem, a deputada Eliziane Gama lembrou que a problemática da construção do hospital da Prefeitura na área do Sítio Rangedor remete à construção da sede da própria Assembleia. "O Plano de Manejo desta Casa, na época de sua construção, diz que a Assembleia tem responsabilidade sobre o que ocorrer na área até um raio de 2 quilômetros", afirmou a parlamentar. Para a deputada, não há interesse do próprio prefeito João Castelo na construção do hospital.
Milhomem respondeu também à deputada: "O que não aceito é que o hospital tenha de ser construído, obrigatoriamente, em um bolsão de miséria".
Só após o debate provocado pelo discurso de Carlos Alberto Milhomem, a deputada Gardênia Castelo (PSDB) foi à tribuna para também falar do hospital. Ela garantiu que a área a ser utilizada não está no Sítio Rangedor, mas em frente a ele e que a Prefeitura está ultimando os detalhes para a construção. Mas nesse momento o plenário já estava esvaziado.
A história do hospital
- O hospital de emergência de São Luís foi anunciado pelo prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), ainda durante a campanha eleitoral de 2008.
- Ao assumir, Castelo tentou utilizar-se de um terreno pertencente ao Governo do Estado na região do Angelim, para onde já havia sido projetado um conjunto habitacional;
- Quando assumiu o governo, em 2009, Roseana ofereceu a Castelo uma área em frente à rodoviária, mas organizações ambientais se posicionaram contra a obra;
- O próprio Castelo anunciou a desapropriação de uma área na região do Sítio Rangedor, ação questionada judicialmente pelo proprietário;
- A licitação para construção do hospital também foi questionada judicialmente, o que atrasou ainda mais o cronograma da obra.
- No primeiro semestre, a Prefeitura de São Luís finalmente conseguiu derrubar a liminar que impedia o início da construção do hospital. Depois disso, Castelo não falou mais no assunto.

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