O Secretário de Estado da Saúde, Ricardo Murad, afirmou que conseguiu com o Ministério da Saúde uma autorização para instalar 100 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública estadual. Com a medida, haveria um equilíbrio da oferta de leitos com a demanda de pacientes no estado. O anúncio foi feito ontem durante uma entrevista concedida ao Jornal do Maranhão primeira edição, da TV Mirante. Segundo o secretário, em menos de dois anos já foram acrescentados 64 leitos de UTI no Maranhão.
Segundo Murad, somente no Hospital Juvêncio Matos haverá a oferta de 12 novos leitos de UTI pediátricos. Até o momento, o hospital dispõe de apenas 10 leitos desse tipo, o que é considerado insuficiente para atender à demanda. Outros 46 novos leitos de UTI serão destinados para o Hospital Estadual Dr. Carlos Macieira, o hospital do Ipem. “Também vamos ativar outros 12 leitos no Hospital Dutra e pretendemos, posteriormente, colocar 20 leitos no Hospital Regional de Timon e outros 20 no Hospital Regional de Coroatá. Dessa forma, vamos equilibrar a demanda”, destacou.
De acordo com o secretário, o maior problema da falta de leitos no estado se refere às especialidades, pediátrica e adulta. “O problema de UTIs neonatais foi resolvido. Por isso que, a curto prazo, conseguimos a autorização do Ministério para a ativação de novos 100 leitos pediátricos e adultos”, completou.
Déficit - Em abril do ano passado, o Promotor de Justiça Herbeth Figueiredo, titular da Promotoria Especializada em Saúde, denunciou, em entrevista coletiva realizada na sede da promotoria, que os hospitais das redes pública e privada de São Luís apresentaram um déficit de 444 leitos de UTI. De acordo com parecer do Ministério Público, 8.206 pacientes do Hospital Municipal Djalma Marques, o Socorrão I, morreram de 2000 a 2004 por falta de leitos hospitalares.
Na época, o promotor havia afirmado que era necessário que fossem criados em caráter emergencial pelo menos 80 novos leitos de UTI na capital. Ao todo, segundo o levantamento de 2010, São Luís dispõe de 4.796 leitos hospitalares em unidades de saúde da rede pública, e pelo menos 2.204 leitos hospitalares na rede privada, o que totaliza uma média de 7 mil leitos na capital (algo considerado suficiente para atender à demanda). No entanto, a Portaria n°1101/GM, do Ministério da Saúde, diz que para cada mil habitantes, é necessário que uma cidade disponibilize três leitos hospitalares, independentemente de ser público ou particular. Destes, de 4% a 10% devem, obrigatoriamente, ser destinados a UTIs, o que não ocorre no município.
Nota de pesar
Durante a entrevista, Ricardo Murad lamentou a morte do bebê Hanna Ester Aguiar, de apenas 2 meses, que ficou 10 dias à espera de um leito de UTI nos hospitais públicos de São Luís. “Não é possível que se transfira para a família, a responsabilidade de uma internação em leito de UTI quando a criança está em um hospital público. Quem deve ter essa responsabilidade é o gestor, ele tem essa obrigação”, criticou.

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