Governo do Estado investiu R$ 7 milhões em equipamentos e na reestruturação das instalações da Benedito Leite.
Anderson Corrêa
Da equipe de O Estado
Da equipe de O Estado
A governadora Roseana Sarney e a secretária de Cultura Olga
Simão reinauguraram, na manhã de ontem, a Biblioteca Pública Benedito Leite, na
Praça Deodoro, Centro, a segunda mais antiga do país. O prédio foi recuperado
com recursos do tesouro estadual, o que permitiu a ampliação e modernização de
suas instalações, criando novos espaços de leitura e pesquisa para a população
maranhense. Ao todo, foi investido R$ 7 milhões, sendo R$ 5,5 milhões em obras
civis e o restante em equipamento.
Acompanhada de secretários, entre eles o titular da Secretaria
de Infraestrutura (Sinfra), Luís Fernando Silva – que foi responsável pela
execução do projeto de reforma da Benedito Leite –, de autoridades, estudantes e
de toda a equipe de funcionários da biblioteca, entre eles a diretora Rosa Maria
Lima, a governadora ressaltou a importância de reabrir as portas “desse templo
de leitura e conhecimento para a população”, especialmente aos estudantes.
“A Biblioteca está sendo entregue completamente recuperada. Ao
entregarmos esse prédio com o que há de mais moderno, estamos disponibilizando
todo o acervo para quem precisa desse conhecimento acumulado aqui. Essa ampla
reforma garantirá mais conforto para todos, funcionários e usuários e ajudará na
formação e no futuro dos maranhenses”, ressaltou Roseana Sarney.
Casa nova - A reforma, iniciada em 2010, propiciou ao prédio a
recuperação de sua estrutura física, incluindo substituição do telhado e
ampliação do anexo (Biblioteca Infantil Viriato Corrêa) e também a troca das
instalações elétrica, hidráulica, sanitária e da rede lógica. Todos os ambientes
foram climatizados e passam a usufruir de tecnologia de ponta e acessibilidade a
pessoas com necessidades especiais.
“Estamos reabrindo as portas da biblioteca para pesquisadores,
estudantes, professores, garantindo acessibilidade às pessoas com necessidades
especiais. Temos um cervo em braile, possibilitando a leitura a pessoas cegas, e
estamos digitalizando todo o acervo, que será disponibilizado em meio eletrônico
para ser lido pela internet e salvo em pen-drive. Uma facilidade muito grande
para todos os usuários”, ressaltou a secretária Olga Simão.
Entre as novidades, estão a Biblioteca do Bebê, Espaço de
Leitura (usuário leva seu próprio livro para ler) e o palco e a sala de
projeções de filmes, instalados no prédio anexo da Biblioteca Infantil Viriato
Corrêa. Há novas acomodações também para os setores de Direitos Autorais,
Informação Utilitária, Telecentro, Salas de Multimídia e de Microfilme e
Laboratório de Higienização e Digitalização do Acervo.
“Temos agora o Escritório de Direitos Autorais e não
precisaremos mais fazer o registro dos livros pela Biblioteca Nacional.
Poderemos fazer isso aqui mesmo. E uma novidade é a Biblioteca do Bebê, que é
uma inovação, uma iniciativa pioneira no país, que só existe em outros países e
que tive o prazer de conhecer e trazer para nosso estado”, destacou a diretora
da Biblioteca, Rosa Maria Lima.
Tecnologia - A Biblioteca Pública também passa a ter
equipamentos modernos que auxiliarão no melhor desempenho de suas atividades,
entre eles um scanner de microfilmes - digitaliza direto para impressora,
pen-drives e disco rígido, além de permitir que o usuário salve uma cópia da
informação digitalizada e realize a pesquisa em casa, se conectando à internet;
permite o envio das obras digitalizadas por e-mail; um scanner planetário -
permite a digitalização de obras encadernadas e em folhas soltas, até o formato
A2, tendo como características a alta qualidade e velocidade de digitalização, a
baixa exposição dos originais à luz, o não uso de radiação ultravioleta e a não
emissão de reflexos mesmo com papéis brilhantes.
Além disso, o acervo da Biblioteca Pública foi enriquecido com
10 mil obras. Com isso, serão mais de 140 mil títulos, entre livros, jornais,
revistas, manuscritos, microfilmes, diários oficiais, livros em braille e obras
raras.
O secretário de Infraestrutura, Luís Fernando Silva, ressaltou a
importância da Biblioteca na história do estado e o empenho da governadora em
fazer do espaço um dos mais modernos do país. “É um monumento da história da
arquitetura do Maranhão; um prédio de estilo neoclássico. Mas, sobretudo, um
monumento da cultura maranhense. É uma alegria enorme e uma satisfação para nós
entregar esta obra. Reafirmamos hoje, com a governadora Roseana, o compromisso
com a cultura, com a história maranhense”, afirmou.
A Biblioteca Pública desenvolve uma série de ações de incentivo
à leitura. Na lista de projetos estão Terça na Biblioteca, Quinzena do Livro
Infantil e Juvenil, Arraial da Tia Nastácia, Férias na Biblioteca, Natal na
Biblioteca, Livro na Praça, Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) e
Semana do Livro Infantil. O espaço ficará aberto ao público de segunda a
sexta-feira, das 8h30 às 19h.
Espaço volta a integrar vida cultural da cidade
Estudantes, funcionários e convidados que participaram da
solenidade de reinauguração da Biblioteca Pública Benedito Leite também
aprovaram a reforma. Para Clara Ariane, de 15 anos, estudante do 1º ano do
ensino médio do Liceu Maranhense, a obra trará muitos benefícios para a classe
estudantil, principalmente porque fará dela um espaço importante de pesquisa. “É
uma forma a mais de aprendizado. De um tempo para cá, as pessoas perderam o
contato com os livros, e com a biblioteca mais moderna e reformada tenho certeza
de que muitos jovens vão ser atraídos e vão ficar mais próximo dos livros e
ampliar seus conhecimentos com a leitura”, declarou a estudante.
Uma das funcionárias mais antigas da Biblioteca Pública,
Porfíria Lobão, bibliotecária-chefe do Setor de Referência, demonstrou sua
alegria em ver o estabelecimento completamente reformado e aberto ao público
mais uma vez. “É uma satisfação imensa. Estamos felizes e orgulhos. Estamos
vendo que valeu a pena ela ficar tanto tempo fechada para reforma, porque agora
está reestruturada, com novos espaços. Trabalhar aqui vai ser bem mais
prazeroso”, frisou.
Para o professor Benedito Buzar, presidente da Academia
Maranhense de Letras, valeu a pena esperar o fim da obra e a entrega do prédio à
população, fazendo do espaço mais um ambiente de conhecimento na cidade. “A
biblioteca está recuperada e muito bonita. Temos agora que nos preocupar com a
manutenção, para que ela continue tão boa como está hoje. E nós, da academia,
vamos pensar em projetos que possam ser realizados em parceria com a Biblioteca
Pública no futuro”, afirmou.
Quem também participou da solenidade foi a presidente da
Fundação da Memória Republicana Brasileira, a advogada Anna Graziella Costa, que
destacou a importância histórica do prédio para a cidade. “A Biblioteca Pública
foi palco de grandes debates e movimentos que enalteceram a cultura e a
literatura da sociedade maranhense e a agora esperamos, graças à reforma, que
ela sirva de estímulo para o surgimento de novos estudiosos, quiçá poetas e
escritores”, enfatizou.
História
A Biblioteca Pública Benedito Leite foi criada pelo então
presidente da província, Cândido José de Araújo Viana, em 3 de maio de 1831,
tendo como origem uma subscrição popular e voluntária e recebendo o nome de
Biblioteca Pública Estadual. A primeira sede da Biblioteca Pública Benedito
Leite foi o Convento do Carmo, na Rua do Egito. No ano de 1851, o espaço foi
anexado ao Liceu Maranhense. Já no dia 4 de abril de 1883, foi aberta ao público
na Igreja da Sé, retornando ao Convento do Carmo em 1886, onde permaneceu
abandonada e esquecida. Em 1895, o acervo foi levado para o prédio da Rua da
Paz, hoje Academia Maranhense de Letras, onde reabriu ao público em 25 de
janeiro de 1898, sob a direção de Antônio Lobo.
Números
140 mil títulos compõem o acervo da Biblioteca Pública Benedito
Leite
R$ 7 milhões foram investidos em equipamentos, reforma e
ampliação da biblioteca
182 anos de fundação tem a Biblioteca Pública de São Luís


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