quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sarney não deve pendurar as chuteiras

Sarney está decidido a pendurar as chuteiras em 2014, mas tem quem queira que ele vá até a morte

*Por Ricardo Luís de Almeida Teixeira

Uma vez eu estava em Teresina e me perguntaram quando o Sarney deixaria de dominar politicamente o Maranhão. Imediatamente falei: só quando morrer. Não quero dizer aqui que Sarney é santo ou demônio, autor ou réu. Contudo, posso dizer: para o Maranhão, a Família Sarney ainda é o melhor caminho.

Para explicar melhor a minha colocação, é preciso explicar o que é a família Sarney. Para a oposição, a família Sarney é o pai e os filhos. São esses os alvos dos ataques oposicionistas constantes. Entretanto, a família é muito maior. É um grupo político coeso que conta com as principais famílias tradicionais do Estado (família Sarney, Murad, Dualibe, Fecury, Lobão, Macieira) e o apoio de importantes grupos econômicos.

Com uma grande habilidade política, Sarney conseguiu unificar as famílias tradicionais e conservadoras do Estado em um único bloco. Enquanto Sarney lidera um importante, influente, rico e coeso grupo político, a oposição é um verdadeiro balaio de gato. Não tem qualquer coesão. É formada por vários grupos conflitantes e ideologicamente contraditórios.

A oposição sempre entra na campanha de forma dividida e com um discurso beligerante. Quando teve a chance de governar o Maranhão com a eleição do líder maior, Jackson Lago, foi um fiasco. Logo no primeiro ano fez uma reforma administrativa sem ouvir um único servidor, uma única categoria. Não poderia dar em outra coisa e no primeiro ano a oposição no governo colheu a fúria de todas as carreiras e classes de servidores públicos.

Em vez de tentar corrigir o erro e chamar os servidores para o diálogo, insistiu na reforma administrativa autoritária. Assim, teve de enfrentar greves e derrotas judiciais. Não sendo o bastante, o governo Jackson Lago não honrou contratos.

O maior exemplo ocorreu com o Bradesco, que saiu vitorioso no leilão do Banco do Estado do Maranhão. Com isso, passou a ter o direito de explorar as contas-salários dos servidores por um prazo determinado. Jackson quebrou o contrato e deu as contas para o Banco do Brasil.

Os investidores ficaram de cabelos em pé. Como investir em um Estado que quebra contratos? Muitos investidores criticaram a medida. Novamente, em vez de tentar dialogar, a oposição jackista teve a “ótima” idéia de convidar para o Maranhão o camarada Hugo Chávez.

O Imperador da Venezuela veio para a assinatura de um acordo de investimento. O país se comprometeu a construir uma siderúrgica na área do Porto de Itaqui, justamente no terreno almejado pela Vale para atrair as maiores siderúrgicas do mundo.

Foi a gota d'água. O Maranhão deixou de receber muitos investimentos. O fim do governo oposicionista no Maranhão foi lamentável. Simplesmente cassado por abuso do poder econômico, Jackson Lago saiu feito um moribundo esquecido por todos. Do seu lado, nas barricadas do Palácio dos Leões, só havia uns poucos sem terra.

Jackson Lago fez um dos piores governos que já conheci na vida. Depois dele, a oposição maranhense encolheu. Praticamente todos os seus líderes perderam as últimas eleições, com exceção do deputado federal Domingos Dutra, que disputou a eleição pelo PT contra a reeleição de Roseana Sarney, mas apoiada pelo seu partido.

A oposição perdeu cadeiras no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa. Não conseguiu fazer um único senador e ainda perdeu no primeiro turno. Essa vitória esmagadora da família Sarney é fruto de uma superioridade político-administrativa incontestável.

O Maranhão voltou a receber investimentos e hoje tem um rumo. Por isso, Sarney não deve pendurar as chuteiras. Mesmo cansado, ainda consegue fazer muita coisa. Lembra o Romário que andando em campo era melhor que muitos garotos. Quem aposenta o político são as urnas e as urnas aposentaram os líderes da balaiada jackista!

*Ricardo Luís de Almeida Teixeira é defensor público no Estado do Maranhão e blogueiro. Artigo publicado originariamente no blog Maranhão e Piauí Sem Fronteiras

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