terça-feira, 2 de novembro de 2010

''Nado por títulos, não para ser estrela'', diz Fred


Imirante

SÃO LUÍS – No último sábado (30), o nadador maranhense Frederico Castro conquistou a medalha de ouro nos 200m borboleta na etapa de Berlim da Copa do Mundo de Natação, em uma prova simplesmente sensacional (clique aqui e reveja). O maranhense levou o ouro por apenas seis centésimos. Além da medalha, O tempo obtido por Frederico Castro foi o melhor da sua carreira.

E, com exclusividade, o Imirante Esporte entrevistou Frederico Castro logo após a conquista da medalha nos 200m borboleta. Contente com o resultado, o maranhense revelou que a etapa da Copa do Mundo de Berlim tem algo especial. Isso porque, antes do ouro em 2010, Frederico foi prata em 2009 nesta mesma prova. Naquela ocasião, o atleta, que defende o Flamengo-RJ, superou o norte-americano e campeão olímpico Michael Phelps.

O resultado na etapa da Copa do Mundo foi tão significativo que o site oficial do Flamengo postou que o maranhense mostrou "o porquê de estar fazendo parte da seleta equipe de natação”. Vale lembrar, que Frederico Castro é companheiro de César Cielo, campeão olímpico e mundial, no clube carioca.
Mas, apesar dos elogios, Frederico mantém os pés no chão. Segundo o nadador de 21 anos, ele “nada por títulos e medalhas e não para ser considerado estrela de algum time”.Confira abaixo a entrevista exclusiva feita pelo Imirante Esporte com o maranhense Frederico Castro.

Frederico na largada para os 50m livre (Foto: Divulgação/FINA)



IMIRANTE ESPORTE: No ano passado, também na etapa de Berlim, você foi considerado surpresa ao levar a prata superando o Michael Phelps nesta prova. Após um ano, ainda podemos considerar que a sua medalha de ouro novamente foi uma surpresa?

FREDERICO CASTRO: No ano passado, mesmo conseguindo superar o Phelps, aquele segundo lugar não me convenceu. Eu sabia que poderia ganhar o ouro. Nesse ano, tive mais atenção nos detalhes decisivos da prova e obtive êxito. Acho que surpresa seria se eu não esperasse o resultado que tive. Eu sabia que iria ser muito difícil, mas eu sabia que tinha condições de vencer.

IE: E por falar em Berlim, o que tem na piscina alemã que te faz voar dentro d'água? São duas medalhas, em dois anos, que significam dois feitos importantes para você, não é?

FC: Essa piscina tem alguma coisa diferente que nem eu sei explicar. Nos treinos, antes da competição, consegui fazer uns tempos muito bons. Ano passado, o objetivo era somente as etapas da Suécia e de Berlim, onde treinei três meses somente para elas. Esse ano todo, competindo a mais de um mês, sem ter tempo para treinar, tendo que me adaptar aos fusos de cada país. Na China, foi quase impossível. No Rio de Janeiro, tive que nadar treze provas pelo Flamengo em menos de uma semana. Três dias depois cheguei em Berlim realmente muito cansado. Essa medalha significou muito para mim, não só por ter vencido os outros, mas por ter me superado em meio ao cansaço físico e mental. Porque buscar empolgação toda semana para tentar superar os melhores do mundo é difícil.

IE: Quando você chegou em Berlim esta semana, passou pela sua cabeça repetir o pódio do ano passado, apesar de você ter dito que o nível da competição seria muito difícil? Você acreditava que iria nadar abaixo de 1min54s?

FC: Mesmo sabendo do alto nível da competição, eu sabia que tinha condições de ficar entre os primeiros nos 200m borboleta. Depois da eliminatória, percebi que poderia nadar pro meu melhor tempo.

IE: Duas cenas chamaram a atenção. A primeira, quando você faz o número um antes da prova e, a segunda, quando você começa a socar a água no fim da prova. O que passou pela sua cabeça nestes dois momentos?

FC: Na verdade, aquele foi um sinal para mostrar que eu estava ali, positivo e operante, pronto para representar o Brasil e o Maranhão da melhor forma possível. Quanto aos socos na água, foi a adrenalina que ainda corria no sangue, além de ter sido a minha primeira medalha de ouro em Copa do Mundo.


IE: No site oficial do Flamengo, eles escreveram que você mostrou "o porquê de estar fazendo parte da seleta equipe de natação do Flamengo". Qual o teu sentimento ao ser reconhecido pelo seu clube como uma das estrelas da equipe, que tem em seu elenco, por exemplo, César Cielo?
FC: O Flamengo realmente tem um excelente time, mas, no meu caso, quero conquistar muito mais títulos e medalhas. Trabalho para isso, e não para ser considerado estrela de algum time.
Você está no seu melhor momento? O que ainda falta melhorar no teu estilo de nadar?

FC: Por ter feito meu melhor tempo, considero que estou no meu melhor momento, mas sinto que falta conseguir nadar de forma mais fácil. Tô indo muito na força e na raça. No dia que a técnica de nado estiver perfeita, o tempo melhora ainda mais.

IE: Para concluir, a quem você dedica o teu crescimento como atleta? E o que influencia você continuar treinando em São Luís, com um técnico daqui, mesmo sendo atleta do Flamengo?

FC: Dedico a minha família, que sempre acreditou em mim, principalmente a minha irmã, que por ser nova e não entender o quanto é difícil, sempre me falava quando eu estava no aeroporto pronto para viajar: “ganha viu!?”. Eu queria muito levar o ouro para casa também por causa dela. Dedico também a minha namorada e amigos, que sempre me deram apoio moral durante o período de treinamento e a todos que confiaram em mim. O Maranhão precisa de pessoas que acreditem no potencial do próprio Estado. Por isso que faço questao de treinar em São Luís com meu técnico Alexandre Nina, que foi para Berlim arcando com todas as despesas, e meu preparador físico, Carlos Eduardo. Eu confio 100% no trabalho deles, e o resultado está aí. Mas nosso objetivo principal ainda esta por vir. O povo maranhense merece muito mais alegria.

* Foto: Divulgação/CBDA.

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