sábado, 8 de maio de 2010

Pesquisa do CDT diz que cuxá é alimento rico em nutrientes

Arroz de cuxá

Imperatriz - O arroz de cuxá, prato tradicional da culinária maranhense, é rico em nutrientes que são importantes para o combate a várias doenças. Na linguagem popular, a vinagreira (arbusto semi-lenhoso, bianual ou perene, ereto ou ramificado conforme a condução), que dá origem ao prato, é o que se chama de alimento funcional, aquele que colabora para melhorar o metabolismo e prevenir problemas de saúde.
Pesquisas feitas recentemente pelo químico e toxicologista Antônio Augusto Brandão Frazão, 52, no Centro de Difusão Tecnológica (CDT), em Imperatriz, revelam que as folhas da vinagreira podem ser usadas como chá para o combate à anemia, cura infecção da próstata e problemas renais. A rúcula e o agrião também têm ferro, mas a vinagreira leva vantagem. Outras pesquisas são realizadas no centro, que também exporta medicamentos para outros estados e até países.

“Para se ter uma idéia, duas folhas para uma xícara de chá está curando infecção de próstata e é excelente para a redução de infecção renal. Além de ela ser uma excelente fonte de ferro, ainda tem essa característica de ser biodisponível”, explicou o cientista.

As folhas da planta contêm ácido cianídrico, que ajuda na cicatrização de feridas. Para esse fim, elas devem ser usadas aquecidas no fogo e postas como curativo (cataplasma) para a cura de erisipela e de feridas em qualquer parte da pele, comuns em pessoas com estágio avançado de diabetes.

A cicatrização ocorre em pouco tempo, segundo Antônio Frazão, que é professor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), no município. O fruto (semente) avermelhado ainda é pouco estudado. O pesquisador disse que não abre mão do consumo regular da vinagreira como a finalidade de aumentar a quantidade de ferro no organismo.

Projeto - Antônio Frazão acaba de lançar um projeto específico para estudar novas propriedades da planta, cujo nome científico é Hibiscus sabdariffa, de origem ainda não totalmente esclarecida. Estudiosos de botânica divergem quanto ao local de origem da planta, que pode chegar a 3 metros de altura. Uns dizem que foi na África outros na Ásia.

A vinagreira é cultivada comercialmente em função de suas propriedades medicinais, por ainda possibilitar usos ornamental, têxtil e culinário. A Alemanha, por exemplo, usa o produto para a implementação de cálices importados da África.

O estudo em fase de execução chama-se “Projeto Anemia” e será desenvolvido com crianças de famílias pobres que moram nas imediações do Centro de Difusão Tecnológica, na Vila Nova. O projeto nasceu de um levantamento do pesquisador nas imediações do cetro de Imperatriz. Lá, as crianças com deficiência de ferro no organismo foram submetidas a tratamento com a vinagreira. O tratamento obteve sucesso.
CDT - O Centro de Difusão Tecnológica da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) dispõe de uma boa estrutura física formada por dois prédios, onde estão o laboratório, a sala de reunião, também usada como gabinete dentário, a área de enfermagem, as salas de aula e de computadores e, ainda, espaço para esterilização e almoxarifado.

Na parte externa estão dois galpões, um aberto e outro que funciona como estufa, por meio da qual é testada a reação da planta no solo e são produzidas as mudas que depois de crescidas vão para os canteiros. É lá que são preparadas as mudas das plantas que serão usadas na produção de remédios e para a distribuição às famílias que integram o projeto social Cinturão Verde, desenvolvido pela Infraero e que gerou a criação do CDT.

Mesmo com toda essa estrutura, a direção da casa teme quanto ao andamento do projeto em razão da falta de investimentos em pesquisa. “O que falta é a gente ter mais condições de pesquisar. Quem dera que os governantes olhassem para esse tipo de pesquisa, seria maravilhoso porque a gente todo o dia fazia pesquisa e deixava para os alunos darem continuidade, mas falta incentivo”, queixou-se o pesquisador Antônio Frazão.

Um dos pontos positivos sobre o reconhecimento das pesquisas com plantas medicinais é o interesse do médico oncologista Drauzio Varella, que, ao apresentar quadros no programa Fantástico, da Rede Globo, sobre medicamentos à base de plantas medicinais, acabou dando mais credibilidade a esse tipo de estudo.

Além de ter criado toda a infra-estrutura para o CDT, a Infraero ainda tem de bancar os produtos usados na fabricação dos medicamentos, o que Antônio Frazão considera um abuso.

Parceiros - A boa notícia é que o centro tem parceiros, como a Faculdade de Imperatriz (Facimp), Faculdade Athenas Maranhense (Fama) e a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), que disponibiliza pessoal, nesse caso, o pesquisador e estudantes.

Cada um deles tem uma atribuição como aulas do programa de Alfabetização de Jovens e Adultos (EJA), atendimento dentário, atendimento em saúde por meio de enfermeiros, além da assistência por acadêmicos dos cursos de Biologia, Agronomia e Química da Uema. No total, 15 estudantes participam do projeto em que atuam como estágio supervisionado.

A estudante do 9º período da Agronomia, Tatiane Pereira de Sousa, aprovou a participação dos acadêmicos no projeto. “A experiência está sendo boa porque a Infraero está com o objetivo de atender toda a região de Imperatriz, em parceria com a Prefeitura e com a universidade. Estamos produzindo bastante mudas e o objetivo é produzir ainda mais. Para mim, é uma experiência muito boa a produção de diferentes tipos de extratos e hortaliças”, resumiu a acadêmica.

Mais

A vinagreira é rica em vitamina A e B1 e em ácidos. Na região Nordeste do Brasil, principalmente no estado do Maranhão, as folhas são usadas no preparo de diversos pratos típicos da culinária, muito apreciados, como o cuxá. O cálice vermelho e carnoso contém pigmentos e ácidos e se usa como bebida popular e refrescante, principalmente depois de desidratado. A conserva, bem ácida, preparada com o cálice fresco à base de sal e açúcar, é bastante apreciada pela colônia japonesa e consumida principalmente nas refeições.

Pesquisador faz viagem pelo mundo

O químico toxicologista Antônio Frazão esteve na Ucrânia, onde representou o Maranhão e o Brasil no Congresso Internacional do Comitê de Divulgação de Trabalhos Científicos. Nesse evento internacional, o pesquisador divulgou os resultados de dois importantes trabalhos.

O primeiro é uma pomada à base da folha da graviola que auxilia na cicatrização rápida de feridas. O segundo é sobre a recuperação da anemia ferropriva com extrato de hidroalcoólico da juçara (açaí), que por apenas R$ 0,17 por dose transforma seus resíduos, que fatalmente iriam para o lixo, em um eficaz remédio que combate à anemia.

Segundo Antônio Frazão, a pomada de graviola desenvolvida por ele é resultado de quase 20 anos de pesquisas. “Iniciei os estudos quando estava na faculdade e passei algum tempo em uma tribo indígena. Lá, observei os índios usando o estrato da graviola como repelente, achei aquilo interessante e comecei a investigar o princípio ativo dessa fruta”, contou o cientista na época.

Um dia, ao passar o repelente produzido pelos índios em uma ferida na pele, o químico notou uma rápida cicatrização no corte. Ele percebeu a presença da acetogenina, um princípio ativo da graviola. É esse princípio que é usado na pomada.

De acordo com o professor Frazão, também são atendidos asilos e o Hospital Municipal de Imperatriz (Socorrão), onde um andar inteiro é reservado ao tratamento de pessoas com feridas graves causadas pela diabetes e pelo câncer de pele.

A pesquisa sobre a recuperação da anemia ferro privo com extrato da juçara vem sendo desenvolvida em crianças carentes da periferia de Imperatriz. Estudos revelam que, a cada 100 meninos e meninas pobres, 72 apresentam anemias. Com o uso do estrato, 80% dessas crianças se recuperam da doença.

4 comentários:

dina disse...

gostei muito
obrigada pelas informações.

Gosto do suco da parte vermelha do fruto/semente da vinagreira,batido no liquidificador e bem gelado é uma delícia!

Hilleana email: hilleanasilva@hotmail.com disse...

Pesquisa excelente. Como faço para me comunicar com o pesquisador Frazão? pois estou em um estudo semelhante....

Hilleana email: hilleanasilva@hotmail.com disse...

Pesquisa excelente. Como faço para me comunicar com o pesquisador Frazão? pois estou em um estudo semelhante....

Hilleana email: hilleanasilva@hotmail.com disse...

Pesquisa excelente. Como faço para me comunicar com o pesquisador Frazão? pois estou em um estudo semelhante....