terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Maranhão é área de conservação das aves do Brasil, diz pesquisa



O Maranhão tem 14% do seu território com áreas importantes para a conservação das aves no Brasil. Esta é a conclusão de estudo realizado pela Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil), representante nacional da BirdLife International, uma aliança global de organizações não-governamentais que têm um foco especial na conservação das aves e seus habitats.

O estudo “Áreas Importantes para a Conservação das Aves no Brasil: Parte II – Amazônia, Cerrado e Pantanal” trata-se da segunda parte de um mapeamento que apresenta as IBAs (sigla em inglês para Áreas Importantes para a Conservação das Aves) no Brasil, e as espécies ameaçadas.

As IBAs formam uma rede de áreas importantes para assegurar, a longo prazo, a sobrevivência de populações naturais de aves. Portanto, são áreas cruciais que devem ser preservadas para manter não só as aves, mas toda a biodiversidade da região.

Mapeamento - O mapeamento resultou em 74 áreas com requisitos para serem reconhecidas como IBAs nas regiões Norte (a pesquisa incluiu o Maranhão nesta região) e Centro-Oeste. Destas áreas, cinco estão no estado do Maranhão e, juntas, representam quase 5 milhões de hectares ou 14% do território do estado.

“Ter essa quantidade de área total das IBAs em um estado com área de aproximadamente 33 milhões de hectares destaca a importância da região do Maranhão para a conservação das espécies”, explica Pedro Develey, diretor de Conservação da Save Brasil.
As áreas identificadas são: Reentrâncias Maranhenses, Gurupi, Baixada Maranhense, Delta do Parnaíba e Barragem de Boa Esperança. Nessas áreas é onde estão as 11 espécies ameaçadas. Entre estas sete estão quase ameaçadas, uma vulnerável à extinção, uma em perigo e uma, o Celeus obrieni (Pica-pau-do-parnaíba), criticamente em perigo. Além disso, essas IBAs têm registradas 21 espécies endêmicas, ou seja, espécies cuja distribuição geográfica se limita apenas a determinada região no mundo. g

Proteção - De acordo com Develey, para que essas espécies sejam protegidas, é de extrema importância que as áreas onde estão as IBAs também sejam protegidas e preservadas. “No caso do Maranhão, apenas uma tem grau de proteção parcial e todas as outras quatro não tem nenhuma proteção”, exemplificou o diretor.

Para chegar a essas conclusões sobre quais áreas seriam consideradas IBAs e quais espécies de aves consideradas ameaçadas, os organizadores do livro levaram em conta quatro critérios globais unificados desenvolvidos pela BirdLife International.

O primeiro são as espécies globalmente ameaçadas, baseado na lista mundial de espécies ameaçadas; as espécies de distribuição restrita, que apresentam distribuição geográfica global menor que 50.000 m²; as espécies endêmicas de regiões zoogeográficas, áreas onde o número de endemismo é igual ou superior a 50% do valor máximo encontrado entre todas as IBAs propostas e as congregantes, método para compilação que engloba principalmente as aves aquáticas e migratórias.

Save - A Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil é uma organização da sociedade civil e sem fins lucrativos voltada à preservação das aves brasileiras. Representante nacional da aliança de organizações conservacionistas BirdLife International, a Save Brasil foi criada em 2004 a partir do Programa da BirdLife International, iniciado no Brasil em 2000.

Com a missão de preservar as aves, os seus habitats e a biodiversidade em geral, a sociedade trabalha de maneira participativa e atua no desenvolvimento de estratégias e ações de conservação, integrando a sociedade, empresas e governos.


Ameaçados

- Águia-cinzenta
- Ararajuba
- Pica-pau-do-Parnaíba
- Arapaçu-do-Nordeste
- Ema
- Jacupiranga
- Uiraçu-falso
- Papagaio-galego
- Campanha-azul
- Mineirinho
- Cigarra-do-campo

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